Profissional examina a borda de um painel solar sobre uma bancada, ao lado de uma pasta de documentos.

Você recebe uma proposta de energia solar e encontra a informação: “painéis com 25 anos de garantia”. É um prazo que chama a atenção, principalmente quando o investimento vai acompanhar o imóvel por bastante tempo. Mas o que, exatamente, está garantido durante esses anos?

Antes de comparar o número com o de outra proposta, precisamos abrir essa informação. O prazo pode se referir ao produto, à potência que o módulo deve conservar ou a uma condição específica do fabricante. E o restante da instalação tem seus próprios componentes e responsabilidades.

Vamos olhar para essas diferenças pelo que elas mudam na sua decisão de compra.

O painel tem garantia de produto e de desempenho

A garantia de produto trata de defeitos cobertos pelo fabricante. A de desempenho estabelece um limite para a perda de potência ao longo dos anos, conforme os critérios do documento. Elas podem ter durações diferentes para o mesmo painel. Essa distinção aparece nos termos de módulos bifaciais da Canadian Solar, edição de 2020: o documento separa defeitos de materiais e fabricação da cobertura de potência.

A edição é citada para mostrar como as coberturas são organizadas. Para uma compra atual, vale o termo aplicável ao modelo, à região e à data da aquisição. Uma ficha antiga encontrada na internet não confirma a cobertura do equipamento que está sendo oferecido hoje.

Por isso, peça o código completo do painel. Saber apenas a marca ou a potência em watts deixa uma parte importante da comparação em aberto.

“Conservar 90% da potência” significa o quê?

Imagine um exemplo hipotético: um módulo de 600 Wp cujo termo assegure pelo menos 90% da potência nominal ao final de determinado período. Nesse exemplo, o limite seria de 540 W, medidos nas condições de teste previstas. A conta é simples: 600 × 0,90.

Esse resultado não significa que o painel vai entregar 540 W durante todo o dia. A potência nominal é determinada sob condições padronizadas de ensaio. No telhado, a luz disponível, a temperatura e as condições da instalação variam. Também não significa que sua conta de energia terá o mesmo desconto todos os meses.

Potência, medida em watts, e energia acumulada, medida em quilowatts-hora, respondem a perguntas diferentes. A primeira indica uma condição de funcionamento; a segunda registra quanto foi produzido ao longo de um intervalo. A garantia de potência do módulo não equivale a uma promessa de geração mensal do sistema inteiro.

O termo da Jinko, revisão de abril de 2024, define essa medição em condições padronizadas e apresenta os limites de degradação por família de módulos. A mesma tabela reúne modelos com prazos diferentes de cobertura de produto e potência. É justamente por isso que comparar só “25 ou 30 anos” pode levar a uma conclusão errada.

E se o sistema gerar menos antes desse prazo?

Uma queda de geração merece investigação, mas a leitura do aplicativo, sozinha, não identifica a causa. O acompanhamento pode indicar quando o comportamento mudou. A avaliação técnica precisa determinar o que aconteceu.

Pense em dois cenários. Em um deles, uma árvore cresceu e passou a sombrear parte do arranjo. No outro, um equipamento apresentou uma falha. Os dois podem aparecer para o proprietário como “o sistema está gerando menos”, mas exigem verificações e encaminhamentos diferentes.

Vale reunir o histórico, o período em que a mudança começou e eventuais alertas. Se faltam dados no aplicativo, confira primeiro a diferença entre perda de comunicação e falta de geração. Para investigar o funcionamento da instalação, veja o serviço de diagnóstico e manutenção de sistemas fotovoltaicos.

A orientação de manutenção do South Carolina Energy Office também recomenda conferir o manual com o fornecedor. Isso ajuda a definir os cuidados exigidos para aquele equipamento, sem presumir que toda instalação pede a mesma rotina.

O inversor e a instalação entram nessa mesma garantia?

Precisamos olhar para cada parte. O inversor tem modelo, fabricante e termo próprios. A estrutura, as conexões e o serviço executado também precisam estar identificados na documentação. O prazo anunciado para os painéis não informa, por si só, a cobertura desses outros itens.

No artigo sobre vida útil de um sistema fotovoltaico, discutimos por que faz diferença enxergar o conjunto. Na leitura da proposta, essa ideia vira uma tarefa objetiva: relacionar cada equipamento e serviço à cobertura que está sendo oferecida.

Para organizar a conversa, anote ao lado de cada item: quem responde pelo atendimento, qual o prazo, quando começa a contagem e qual documento descreve as condições. Se uma linha ficou sem resposta, leve a dúvida ao fornecedor antes de contratar.

O guia técnico do governo australiano distingue cobertura de produto, desempenho e execução da instalação. A separação ajuda a organizar a análise técnica; os prazos e as regras do mercado australiano não devem ser aplicados automaticamente a uma contratação no Brasil.

Quem resolve o problema e quem paga o serviço?

Agora imagine outra situação: uma substituição de equipamento foi aceita pelo fabricante. Para que o sistema volte a funcionar, ainda pode ser necessário organizar retirada, transporte, acesso ao telhado e reinstalação. Como cada etapa será tratada?

Essa resposta deve estar clara na proposta e nos termos aplicáveis. O documento histórico da Canadian Solar citado acima, por exemplo, distingue os custos de reparo e transporte daqueles de retirada e reinstalação. Esse exemplo mostra por que a palavra “garantia”, isolada, não descreve todo o atendimento. Não define quem pagará esses custos em qualquer outro contrato.

Peça que o fornecedor explique o procedimento completo: o primeiro contato, a avaliação do defeito, a autorização para intervenção e as despesas previstas. Pergunte também como será acompanhado um período de indisponibilidade, sem presumir que existe reposição imediata ou compensação financeira.

Essas condições contratuais devem ser lidas junto aos direitos do consumidor aplicáveis. Como explica o TJDFT, a garantia contratual complementa a legal.

O que guardar desde a entrega

Você não precisa esperar um defeito para descobrir onde estão os documentos. Uma pasta organizada desde a instalação facilita a conversa com a equipe técnica e evita depender apenas de mensagens antigas.

  • Proposta e contrato com a relação final dos equipamentos e serviços.
  • Notas fiscais, códigos dos modelos e registros dos números de série.
  • Termos de garantia aplicáveis e manuais fornecidos na entrega.
  • Registros da instalação, do início da operação e das manutenções realizadas.
  • Canal de atendimento e orientações para comunicar uma ocorrência.

A lista de documentos pode ser conferida na entrega e no comissionamento do sistema solar. Guarde registros e fotos entregues pela equipe. Evite acessar o telhado ou abrir equipamentos para buscar etiquetas por conta própria.

Compare a cobertura antes de comparar os anos

Uma forma prática de avaliar duas propostas é fazer a mesma pergunta para ambas: “Se este componente apresentar um problema, qual será o caminho até o sistema voltar a funcionar?”. Peça uma resposta por escrito e confira se os documentos a sustentam.

Os anos continuam sendo relevantes. O que dá significado ao prazo é saber qual componente está coberto, em quais condições e como o atendimento acontece. Essa leitura complementa os outros critérios para comparar propostas de energia solar além do preço por Wp.

Se você está planejando uma instalação em Brasília ou no entorno, conheça nosso trabalho de projeto e instalação de energia solar. Para conversar sobre a escolha dos equipamentos, fale com a equipe da Mavo e apresente os modelos e as coberturas que está avaliando.

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