Quem começa a entender um pouco sobre energia solar fotovoltaica inevitavelmente esbarra nesse prazo: 25 anos. Seja por uma estimativa de tempo de vida útil das placas, seja por um estudo de retorno do investimento sobre esse quarto de século. Mas talvez a pergunta sobre o motivo desse período existir nunca é feita. Por quê exatamente 25 anos e não mais ou menos?

O começo de tudo

É sempre muito bom colocar as primeiras coisas em primeiro lugar. Na década de 2010, quando os sistemas solares fotovoltaicos começaram a ser implementados em escala e as primeiras regulações surgiram, era necessária a popularização desse sistema, então alguns benefícios que, muitas vezes sequer eram reais, começaram a ser divulgados. Foi quando surgiram vídeos de carros passando por painéis solares, para se mostrar a sua durabilidade e resistência, por exemplo.

Um benefício amplamente divulgado nesse período dizia respeito à durabilidade dos painéis por até 25 anos. Este argumento era utilizado para mostrar que o investimento feito naquela época traria um retorno prolongado. Isso era dito com a intenção de trazer segurança aos clientes.

Mas então, o que vai acontecer depois de 25 anos?

Na prática, nada. Os painéis vão continuar gerando energia, porém com algum déficit. Isso significa que quando o sistema completar 25 anos a geração de energia vai sofrer uma queda instantânea de geração, como num degrau? Não! Veja o gráfico a seguir:

Eficiência dos painéis em 2020

Este gráfico foi retirado da documentação de um painel produzido em 2020. Duas coisas interessante de se notar são:

  • A eficiência dos painéis no ano zero, ou seja, quando ele começa a gerar, é de 97,5%. Ou seja, um painel de 400 Wp instalado em 2020 atingiu uma potência de pico de 390 Wp naquele ano;
  • Depois de 25 anos, a produção de energia prometida por aquele equipamento era de aproximadamente 83%, ou seja, aproximadamente 330 Wp.

Vamos comparar essas informações com as informações de um painel produzido em 2025:

Paineis solares limpos e sujos

Observe que:

  • A produção de energia nesse caso começou em 99% da potência nominal do painel;
  • Em 25 anos, a garantia de potência de saída ainda era de impressionantes 89,4%. Em 30 anos, a estimativa era de que a potência de saída ainda fosse superior a 87,4%.

Mas isso significa que após 25 anos algumas dessas placas vai deixar de gerar energia ou vai precisar ser trocada? Novamente, definitivamente, não! Isso só indica que a geração vai ser menor.

Então é só isso? A geração diminui nesse período?

Não necessariamente. Devemos lembrar que o sistema fotovoltaico não é composto somente pelos painéis fotovoltaicos, mas existe uma série de outros componentes envolvidos

Um dos equipamentos mais importantes do sistema solar é o inversor de potência (saiba mais sobre eles neste post). Em resumo muito breve, este equipamento é responsável por tornar a energia gerada pelos painéis em uma energia que conseguimos utilizar. Este equipamento costuma ter o maior índice de falhas nos sistemas fotovoltaicos, isto é, é o elo mais frágil para que a economia com a geração própria seja eficiente ao longo dos 25 anos. O painel é importante, de fato, mas o inversor é realmente o inversor do sistema.

E como é a vida útil / durabilidade de um inversor?

Agora chegamos no ponto crucial do assunto. Voltando para a década de 2010, os inversores disponíveis naquele período eram bem menos eficientes e evoluídos. O padrão de mercado era que os equipamentos tivessem 5 anos de garantia e o que observamos, principalemnte nos últimos anos, é que a taxa de falha desses equipamentos é muito alta após o término da garantia.

Uma coisa muito importante de observar é que todo equipamento industrializado tem uma taxa de falha envolvida com o seu próprio processo de produção. Isso é normal. O que não é normal é que essas taxas sejam de 10%, 12% ou até mais altas, como algumas marcas que vemos no mercado.

Então, como devemos enxergar o tempo de vida de um sistema fotovoltaico?

Precisamos entender muito bem quais equipamentos estão sendo instalados no nosso sistema para essa resposta ser mais completa.

Atualmente, em pleno 2025, temos equipamentos disponíveis no mercado, como é o caso da Enphase, que dão garantia de 25 anos contra defeitos de fábrica. A mesma fábrica que apresenta taxa de falhas de 0,05% (1 equipamento defeituoso a cada 2.000 produzidos).

Se isso existe e está ao alcance, porque nos contentaríamos com um equipamento que traz apenas 10 anos de garantia contra defeitos de fabricação e apresentam trocas de mais de 10% dos equipamentos instalados?

Mas levando essa pergunta ao extremos, podemos refletir: se não faz tanta diferença assim, se os equipamentos são todos praticamente iguais... por que não vemos mais marcas disponibilizando 25 anos de garantia nos seus próprios equipamentos?

Mavo Engenharia — Especialistas em energia solar no Distrito Federal.

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