O mercado de energia solar em Brasília cresceu rápido nos últimos anos, e isso trouxe um efeito colateral: hoje é fácil encontrar dezenas de empresas oferecendo instalação, muitas delas atuando como simples revendedoras de kit, sem estrutura técnica própria para projetar, dimensionar ou dar suporte depois da venda. Para quem vai contratar — seja uma residência, uma empresa ou um condomínio — a diferença entre um projeto de engenharia bem feito e uma instalação genérica raramente aparece na hora da assinatura. Ela aparece meses depois, quando a fatura de luz não cai como prometido, quando a homologação atrasa ou quando surge um problema técnico que ninguém sabe resolver. Esta checklist reúne as dez perguntas que realmente separam uma empresa preparada de uma que está apenas empurrando equipamento.
Por que vale a pena fazer essas perguntas antes de assinar qualquer proposta
Um sistema fotovoltaico é um investimento com horizonte de 25 anos — a vida útil média dos painéis solares — e uma decisão que, uma vez instalada, é cara de desfazer ou corrigir. A maior parte dos problemas que vemos em sistemas mal executados não vem de defeito de equipamento, e sim de erro de projeto: dimensionamento feito sem olhar o histórico real de consumo, ausência de responsável técnico, ou proposta que omite custos que aparecem só depois. Já mostramos, no artigo sobre erros que condomínios cometem ao avaliar proposta de energia solar, como esses deslizes se repetem quando a decisão é tomada só pelo preço por Wp. As perguntas a seguir servem exatamente para trazer à tona, ainda na fase de proposta, o que separa engenharia de revenda.
Track record e regularidade técnica
1. Há quanto tempo a empresa atua e quantos sistemas já instalou na região? Empresas recentes não são necessariamente ruins, mas tempo de mercado em Brasília costuma vir acompanhado de conhecimento prático sobre a rede da Neoenergia local, os prazos reais de homologação e as particularidades climáticas do Cerrado — poeira, variação térmica e período de estiagem, que afetam manutenção e geração.
2. Quem assina o projeto — existe um engenheiro responsável técnico registrado no CREA? Todo projeto elétrico deveria ter Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) emitida por um profissional habilitado. Se a empresa não sabe responder quem é o responsável técnico do seu projeto específico, isso é um sinal de que não existe, de fato, um projeto de engenharia por trás da venda.
3. A empresa está regular perante a Receita Federal e emite ART para cada instalação? Consultar o CNPJ é rápido e gratuito, e cobrar a ART antes de iniciar a obra protege você juridicamente caso algo saia errado — seja um problema estrutural no telhado, seja uma falha elétrica que cause dano ao imóvel.
Projeto técnico e dimensionamento
4. O dimensionamento foi baseado no seu histórico real de consumo ou em uma estimativa genérica? Um projeto sério pede pelo menos 12 meses de faturas para entender sazonalidade e padrão de uso antes de definir a potência do sistema. Sem esse histórico, a proposta é um chute — geralmente um chute que favorece vender mais placas do que o necessário, ou menos do que deveria. Detalhamos essa lógica no artigo sobre por que o "kit padrão" pode fazer você perder dinheiro.
5. Para empresas e condomínios enquadrados no Grupo A, o projeto considera o impacto sobre a demanda contratada, não só o consumo em kWh? Na tarifação binômia do Grupo A, a demanda contratada pode representar de 30% a 50% da fatura, e um sistema pensado só para abater consumo em kWh deixa essa parcela praticamente intocada. Se o vendedor nunca ouviu falar em demanda contratada, ele não está qualificado para dimensionar um projeto comercial.
6. A empresa explica com clareza como funciona a cobrança do Fio B e o impacto disso no seu retorno? Pela Lei 14.300/2022, o Fio B está em 60% em 2026, sobe para 75% em 2027 e 90% em 2028, chegando a 100% em 2029 — exceto para sistemas que entraram em operação até 6 de janeiro de 2023, com isenção garantida até 2045. Uma empresa que não sabe explicar esse cronograma, ou que promete payback sem considerar essa cobrança crescente, está vendendo uma expectativa que não vai se confirmar. Este tema está detalhado no artigo sobre a Lei 14.300 e o Fio B explicados sem economês.
Equipamentos, contrato e transparência de proposta
7. A proposta especifica marca e modelo de cada equipamento, ou fala só em "potência total do kit"? Painéis, inversor, estrutura de fixação e cabeamento têm variação real de qualidade e garantia entre marcas. Uma proposta séria detalha exatamente o que será instalado — não apenas "sistema de X kWp" sem especificação.
8. O que está incluso no valor — projeto, ART, homologação junto à distribuidora e todos os materiais elétricos, ou só o equipamento e a mão de obra de instalação? É comum surgirem custos extras depois da assinatura: adequação do padrão de entrada, reforço estrutural do telhado, taxas de homologação. Peça que tudo isso conste explicitamente no contrato, item por item.
Instalação, homologação e suporte pós-venda
9. Qual o prazo real da obra e da homologação junto à distribuidora, e o que o contrato prevê se esse prazo não for cumprido? A homologação — processo pelo qual a distribuidora aprova a conexão do seu sistema à rede — depende de documentação correta e pode travar se o projeto tiver erros. Empresas experientes sabem estimar esse prazo com realismo e assumem responsabilidade contratual por atrasos que sejam culpa delas.
10. Como funciona a garantia e o suporte técnico depois que o sistema está instalado? Pergunte quem você aciona se o inversor apresentar erro daqui a três anos, se a empresa ainda vai existir nesse prazo, e se o atendimento pós-venda é feito por equipe própria ou terceirizada. Isso importa tanto quanto o preço da instalação, porque um sistema solar tem vida útil de décadas — o suporte precisa acompanhar esse horizonte.
A pergunta que resume todas as outras
Se, ao fazer essas dez perguntas, você sentir que as respostas são vagas, genéricas ou que o vendedor não consegue explicar os aspectos técnicos com segurança, esse é o maior sinal de alerta possível. Engenharia se explica; revenda de kit se limita a empurrar preço. É essa diferença que buscamos deixar clara em cada projeto — conheça como a Mavo dimensiona um sistema solar e veja como aplicamos esse processo tanto em projetos residenciais e comerciais de energia solar quanto em obras já entregues em Brasília.
Se você está avaliando propostas agora e quer uma segunda opinião técnica sobre um projeto que já recebeu, fale com a nossa equipe — vamos analisar o dimensionamento e apontar, com clareza, o que faz sentido e o que não faz.