É comum um síndico receber três orçamentos de energia solar, comparar o valor final de cada um e aprovar o mais barato para levar à assembleia. Do ponto de vista financeiro imediato, faz sentido. Mas é exatamente esse atalho que costuma gerar os problemas mais caros depois da instalação: sistema subdimensionado para o consumo real das áreas comuns, responsabilidade técnica mal definida, ou um modelo de rateio de créditos que gera confusão entre os condôminos meses depois de tudo aprovado. Depois de avaliar propostas para diversos condomínios em Brasília, listamos os cinco erros que mais se repetem nessa fase — e que, corrigidos ainda na avaliação, evitam retrabalho, prejuízo financeiro e desgaste entre síndico, conselho fiscal e condôminos.

Multímetro medindo tensão em conexões elétricas de painéis fotovoltaicos em close, representando análise técnica de proposta de energia solar

Erro 1: comparar propostas só pelo valor final, sem abrir o escopo técnico

Duas propostas com o mesmo valor total podem ser projetos completamente diferentes. O que muda o preço — e a durabilidade do sistema — está nos detalhes que raramente aparecem num resumo comercial de uma página: marca e tier do inversor, dimensionamento das strings, bitola do cabeamento CC e CA, tipo de proteção contra surtos, e principalmente a estrutura de fixação, que em Brasília precisa resistir tanto à radiação solar intensa quanto às chuvas de verão concentradas. Uma proposta mais barata que usa estrutura de alumínio mais fina ou inversor de linha de entrada pode custar menos hoje e gerar manutenção cara em três ou quatro anos. O condomínio deveria sempre pedir a planilha de materiais especificada, não apenas o valor fechado — e comparar item a item, não só o total.

Erro 2: aceitar dimensionamento de "kit padrão" sem levantamento real do prédio

Muitos fornecedores dimensionam o sistema com base numa média genérica de consumo, sem pedir as faturas de energia das áreas comuns dos últimos 12 meses e sem visitar o telhado ou a laje técnica do prédio. Isso é particularmente arriscado em condomínios mais antigos de Brasília, onde a capacidade estrutural da cobertura para suportar o peso adicional dos módulos precisa ser avaliada por um engenheiro antes de qualquer proposta — não depois. Já mostramos como esse tipo de "kit padrão" pode fazer um proprietário residencial perder dinheiro no artigo sobre dimensionamento de sistema solar e os riscos do kit padrão; em condomínio, o problema se multiplica, porque o erro afeta o rateio de todos os condôminos, não a conta de uma única unidade. Antes de comparar propostas, vale entender a viabilidade completa do prédio — o artigo sobre energia solar para condomínios em Brasília detalha os critérios técnicos que qualquer levantamento sério precisa cobrir.

Erro 3: não exigir ART e responsabilidade técnica formalizada

Uma proposta sem Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA não tem, na prática, um responsável técnico formal pelo projeto — apenas um instalador que promete que "vai funcionar". Em caso de falha estrutural, mau desempenho do sistema ou problema na integração com o quadro elétrico geral do condomínio, é a ART que define juridicamente quem responde tecnicamente pela obra, e é ela que sustenta uma eventual ação de garantia. Antes de assinar qualquer contrato, o síndico deveria exigir o nome do engenheiro responsável, seu registro ativo no CREA-DF e a ART específica daquele projeto — não uma ART genérica de "prestação de serviços de energia solar" da empresa como um todo.

Erro 4: confundir geração para áreas comuns com autoconsumo remoto entre unidades

Um dos pontos que mais gera expectativa equivocada em assembleia é achar que a energia solar do condomínio vai reduzir a conta de luz de cada apartamento individualmente. Na modalidade mais comum — geração para áreas comuns —, o sistema é instalado em nome do CNPJ do condomínio e os créditos abatem apenas a fatura da administração (elevadores, bombas, iluminação comum, portão), refletindo depois no rateio da taxa condominial. Já a modalidade de autoconsumo remoto entre unidades, prevista na Resolução Normativa 1.059/2023 da ANEEL, permite dividir os créditos gerados entre unidades consumidoras diferentes, mas exige cadastro individual de cada unidade participante junto à distribuidora, definição de percentual de rateio por unidade e ajuste anual desses percentuais — um processo administrativo mais complexo, que poucos fornecedores explicam claramente na proposta comercial. Antes de levar a decisão à pauta, vale saber exatamente qual modalidade está sendo proposta e comunicar isso sem ambiguidade aos condôminos, para evitar frustração depois da instalação.

Erro 5: tratar a forma de pagamento como detalhe, decidido depois da aprovação técnica

Aprovar "fazer energia solar" e só depois discutir como pagar é um erro de sequência que costuma travar o projeto na prática. Comprar à vista com o fundo de reserva, financiar — inclusive com linhas mais baratas como o FCO, que detalhamos no artigo sobre financiamento de energia solar com o FCO em Brasília — ou contratar por assinatura são decisões financeiras com impacto direto no caixa do condomínio e no retorno de longo prazo, e deveriam ser avaliadas junto com a proposta técnica, não depois dela. Levar as duas decisões separadas para a mesma pauta de assembleia, com números comparáveis lado a lado, reduz a resistência e evita que o projeto tecnicamente aprovado fique parado por falta de definição sobre como pagar — o artigo sobre como vencer a "guerra política" da assembleia mostra como estruturar essa pauta na prática.

Como evitar os cinco erros na prática

O denominador comum desses cinco erros é o mesmo: avaliar a proposta comercial de um fornecedor como se ela fosse, sozinha, o projeto técnico. Um relatório de viabilidade independente — sem vínculo comercial com quem vai vender o sistema — resolve os cinco pontos de uma vez: define o dimensionamento real a partir do consumo e da estrutura do prédio, especifica os materiais mínimos aceitáveis, exige ART do responsável técnico, esclarece a modalidade de geração e do rateio de créditos, e compara as formas de pagamento dentro da mesma análise. É esse tipo de levantamento, feito antes de qualquer cotação comercial, que coloca o síndico em posição de comparar propostas de verdade — e não só números soltos numa planilha.

Se o seu condomínio está reunindo propostas de energia solar e quer um relatório técnico independente antes de levar o assunto à assembleia, fale com a equipe da Mavo. Conheça também nosso portfólio de projetos para ver como estruturamos esse processo do diagnóstico até a instalação.

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→ Leia também: Energia solar em condomínio: como vencer a "guerra política" da assembleia