Bateria modular e inversor em sala elétrica comercial, com painéis solares visíveis pela janela.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a energia solar distribuída poderá sustentar um mercado potencial de até 139 gigawatts-hora (GWh) de armazenamento atrás do medidor até 2036. O número chama atenção, mas não significa que essa quantidade de baterias será instalada nem que todo sistema solar terá retorno financeiro com armazenamento.

O estudo do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), divulgado em 4 de novembro, relaciona essa estimativa ao excedente de geração que os sistemas fotovoltaicos locais poderiam injetar na rede. A análise também testa diferentes níveis de adoção e custos. O resultado ajuda a enxergar o espaço que pode surgir para as baterias; a decisão de cada consumidor continua dependendo da tarifa, do perfil de uso e do objetivo do equipamento.

O que significa armazenar energia atrás do medidor

Uma bateria atrás do medidor fica instalada no imóvel do consumidor e opera junto à rede elétrica e, em alguns casos, aos painéis solares. Ela pode guardar parte da energia produzida durante o dia para uso posterior. Em vez de injetar todo o excedente na rede, o sistema aproveita uma parcela quando a geração solar cai ou quando a tarifa está mais alta.

A projeção de 139 GWh parte de um cenário nacional de expansão da micro e minigeração distribuída. Ela não informa a capacidade de uma bateria residencial específica, nem determina quantos equipamentos serão vendidos em Brasília. A própria EPE trata o tema como potencial de mercado. A concretização depende de custos, regras de compensação, modalidades tarifárias e interesse dos consumidores.

A reportagem que detalha o estudo apresenta uma faixa de aproximadamente R$ 70 bilhões a R$ 417 bilhões, conforme o custo unitário das baterias e o nível de adoção simulados. O valor mais alto pressupõe que todos os consumidores considerados adotariam armazenamento no cenário de maior custo. Em paralelo, o MME informa que a capacidade de MMGD poderia chegar a 91,7 GW até 2036, com 13,5 milhões de adotantes no cenário de referência. São projeções nacionais, não instalações contratadas nem uma previsão de receita para empresas do setor.

Três usos avaliados pela EPE

O caderno de Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos do PDE 2036 compara três aplicações. Cada uma atende a uma necessidade diferente, e a mesma bateria não produz o mesmo resultado econômico em todas elas.

Guardar o excedente solar para consumir mais tarde

Em uma casa ou comércio com microgeração, a bateria pode armazenar energia que seria injetada na rede e entregá-la depois. Isso aumenta o autoconsumo da energia solar, mas também eleva o investimento inicial. Segundo a análise da EPE, a redução da compensação pela energia injetada, prevista na Lei nº 14.300, não basta sozinha para tornar essa configuração atrativa em larga escala. A queda do custo do equipamento pesa bastante no resultado.

Por isso, a pergunta não é apenas “quanto excedente meu sistema produz?”. Também é preciso saber em que horário esse excedente aparece, quanto custa a energia que seria comprada mais tarde e qual parcela do valor injetado deixa de ser compensada. O artigo sobre comparar energia solar, eficiência e baterias em uma empresa ajuda a organizar a ordem dessas decisões.

Reduzir o consumo no horário de ponta de uma empresa

Para unidades do Grupo A4 na modalidade Verde, a bateria pode ser carregada fora do horário de ponta e usada nos períodos em que a tarifa de consumo é maior. A EPE identifica essa aplicação como a de maior potencial econômico entre os casos avaliados. O resultado ainda depende da tarifa efetiva da unidade, do perfil de carga e do modo de operação.

Uma fatura mensal isolada pode esconder o que acontece ao longo do dia. Para avaliar essa possibilidade, a empresa precisa reunir dados de consumo por horário, demanda contratada, tarifas e rotina dos equipamentos. A bateria também precisa ter potência suficiente para atender a carga que se pretende deslocar. O artigo sobre o PDE 2036 e o planejamento elétrico de empresas explica por que cenários nacionais não substituem a análise do imóvel.

Usar a Tarifa Branca em residências e pequenos comércios

A Tarifa Branca tem preços diferentes nos períodos de ponta, intermediário e fora de ponta para consumidores de baixa tensão que podem aderir a essa modalidade. Uma bateria poderia carregar em horários mais baratos e fornecer energia nos mais caros. O estudo, porém, encontra resultados mais limitados nessa aplicação: a diferença de preços e o custo do armazenamento precisam compensar o investimento e as perdas de conversão.

A ANEEL recomenda comparar a Tarifa Branca com a convencional usando o perfil real de consumo. O horário de ponta varia conforme a área da distribuidora; fins de semana e feriados nacionais seguem regras próprias. Confira as informações atuais da Tarifa Branca na ANEEL antes de estimar qualquer economia. Para empresas do Grupo A, as modalidades Verde e Azul têm outra estrutura tarifária, explicada pela Agência na página de modalidades tarifárias.

Economia e backup são contas diferentes

Uma bateria pode ser escolhida para reduzir compras de energia, manter cargas durante uma interrupção ou combinar esses objetivos. O valor da continuidade pode ser alto para uma clínica, um escritório com servidores ou uma residência que precise manter equipamentos específicos. Esse benefício operacional não deve ser confundido com economia na conta de luz.

Em um sistema solar conectado à rede, os painéis normalmente deixam de alimentar o imóvel durante uma falta de energia, por segurança. Para fornecer backup, o projeto precisa prever equipamentos compatíveis, separação das cargas atendidas e a forma de operação durante a interrupção. A capacidade nominal da bateria, sozinha, não informa por quanto tempo a casa ficará abastecida. O guia da Mavo sobre autonomia e escolha das cargas essenciais mostra como começar essa estimativa. Quem já tem geração pode conferir também o que verificar antes de adaptar um sistema solar para receber bateria.

Como avaliar se vale a pena no seu imóvel

Antes de pedir uma proposta, reúna as últimas 12 faturas, os dados de geração e injeção do sistema solar e, se houver, medições de consumo por horário. Para uma empresa, acrescente a modalidade tarifária, a demanda contratada e os horários de operação. Com esse material, a análise pode comparar a energia que a bateria deslocaria com o custo real da energia em cada período.

Peça que a proposta informe a capacidade útil, a potência de carga e descarga, a compatibilidade com o inversor, as proteções, as condições de instalação e o escopo de integração. Compare o investimento completo, incluindo equipamentos e instalação, com os benefícios estimados ao longo do tempo. Para backup, registre quais circuitos devem continuar funcionando e por quanto tempo. Uma expectativa genérica de “autonomia para a casa toda” não substitui essa lista.

Imagine, por exemplo, que uma empresa queira manter uma carga essencial de 1 quilowatt por quatro horas durante uma interrupção. Ela precisará entregar 4 quilowatts-hora úteis nesse intervalo. A capacidade nominal da bateria terá de ser maior, conforme as perdas, a potência exigida, a reserva operacional e os limites do fabricante. O exemplo dimensiona uma necessidade; não indica o modelo correto nem calcula o retorno financeiro.

Também confira o local de instalação, o acesso para manutenção e as exigências do fabricante. O conteúdo da Mavo sobre espaço e condições para instalar baterias detalha esses pontos. Para avaliar armazenamento, automação ou integração com carregadores, conheça o serviço de edificações inteligentes e armazenamento.

O que a projeção representa para o mercado solar

O estudo da EPE aponta uma oportunidade que pode crescer junto com a base de sistemas fotovoltaicos: integrar armazenamento onde houver uma necessidade técnica ou econômica identificável. Isso abre trabalho para projetos, adequações e integração de equipamentos. Não elimina, porém, a etapa de verificar cada unidade consumidora.

Para quem já tem energia solar, o próximo passo não precisa ser comprar uma bateria. Pode ser revisar o histórico de geração e consumo, identificar o excedente por horário e definir se a prioridade é economia, backup ou as duas coisas. A Mavo pode avaliar essa integração a partir das informações do sistema e do imóvel. Fale conosco para conversar sobre um projeto em Brasília ou no Distrito Federal.

Fontes consultadas

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